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Sem sentido

Uivam as cidades,  gemem os homens Serpentes ardentes voam no asfalto Assolação da destruição Uivam todos, soberbos e tiranos São horrendos  nossos dias Um bloco negro que já havia em nós invadiram as ruas Feito língua de sapo Contida quando alimentada com  roupas de marcas Exposta quando busca seu mosquito mau por mal Não mostram suas caras Não é preciso São pelos frutos que se conhece a árvore Uivam as cidades em busca de um culpado Os homens escondem seus rostos Se me ouvires comereis o melhor da terra Coração negro, face escondida Black bloc  tênis negro da Nike Não haverá mais cidade O mal tornará estopa  Sua obra faísca Ambos irão arder Não há ônibus nem metrô Lixeiras não haverá Como fugir? Para onde fugir? Só se vence o mal com o bem Isto é  para White bloc Dos que não escondem suas faces

Olhar de pedra

O que me afeta  Olhar de pedra Ele me afeta Eu estou sóbrio Seu olhar embriagado Não me vê Não se move é pedra Lágrimas poeira... Por alguns instantes Quero ser seus livros Uma história de amor Com abraços e beijos O que me afeta Seu olhar de pedra Não sou romance  Sou a pobre poesia Estou em extinção Vivo no coração Durmo em cama de palavras Me cubro com versos sem rimas Sonho por um olhar  de carne é osso O mundo está paralisado Me diga eu já morri? Estas vivo! Sua amada mais ainda Poesia minha querida Há olhares que são pedras Outros poucos retinas

Ser Síria

Quero remover escombro Vejo reverberar nesta catástrofe Olhares sem bússula, paredes sem portas Não há vizinhos nem visitas Não há escolas, igrejas, mesquitas Não há chaves para alegria Rostos apagados pelo medo De todos os males o que mais mata A verdade dos homens Na Síria há uma fome de matar Na Síria uma fome de morrer Exterminação do outro, porque  é o outro Violência fascista sangue em toda pista Há uma bruma no céu de Damasco Há inocentes, idosos, indigentes Seres caidos ao chão Bruma, maldita! Não haverá flores, só dores Pode haver mais horrores Armas quimicas Mortos em pé, mortos deitados De quem é a culpa? Vamos remover escombros Onde há crianças?  onde ser Síria? Em algum lugar, onde houver comodidade Senhores do chá das cinco Em suas amenidades de gole em gole Pense suas chacinas... triste cina Nos ajudem a ser Síria

Silêncio

Seu silêncio me dói Seu olhar não me vê Quero o porque? Quando busco viver Busco vidas Busco seu oxigênio Busco gerar palavras  Grito ao seu silêncio Não me deixe morrer Seu olhar mudo Sua indiferente Deixa eu esfregar seu coração Meus dedos tem palavras Linguagem necessária Lenço para os olhos No tempo dos sem tempo Tempo dos sem afetos Tempo líquido, éter Nada concreto Pele sem alma Visão congelada Só pra lembrar Há palavras... E elas foram ditas Não tente mata-las Elas brotam em versos Irão dizer em seu sono Acorde... sinta meus beijos Palavras... poesias

Vandalizar

Vem de longe está perto dos homens Vem de longe está dentro dos homens Sua escolha, o conhecimento Sendo assim comeu o fruto do mal Vandalizou a árvore do éden Errante Caim, vandalizou Abel Arquiteto de ruínas Dentro de si, cinzas Em casa, nas ruas O verbo vermelho Sangue de dor Vem de longe E não se basta Como traça Final de guerra O verbo do terror Vandalizar, acabar se acabar Homens sois pó das tolices Viveis as mesmisses Sua trama é lama Palavras de ordem Sem razão... Quem fere com fogo Como fogo será ferido Paz, justiça Não se tem Não se avista Vandalizar Foi o que mais se fez Quem nunca o fez Atire sua pedra Os soldados suas balas de borrachas Nossas lágrimas se misturam Gás lacrimogêneo Deus do céu! vandalizamos Toda terra...Vandalizamos Seu único filho Não damos ouvidos Vandalizamos o amor Ele continua sózinho E diz baixinho Eu sei como não vandalizar.

Retorno

Retorno de uma viagem O retorno não esperado... Me aguarde estou indo Não é preciso estou no Táxi O que?- estou indo... Também estou indo... As novidades em malas Histórias, o ato do encontro Logo eu ti conto... Estou no táxi Já saí de casa, estou na rua Retorne meu amor Retorne...  retorne! Onde há placa?! Não há volta Tudo tão rápido Velocidade fuzil Na rua sem placa Na rua que mata Pintada de sangue Não há UPP Nem Unidade Para Perdidos O retorno do não retorno Mais um, dois... mil Meninos, tiros e fuzis Balas que não são doces Não se chora a morte Estamos todos mortos Não há culpado... Tudo por que não há placa Não há para a vida... Não há para morte... Na Vila do desencontro Apenas mais um ninguém Assim vivemos na cidade Nada maravilha... Onde a culpa é da vítima Onde a culpa é da placa Onde uma vida é nada... Viagem sem retorno Placa... retorno de lágrimas....

Foi ontem

Um quintal faz muita falta Galos, grilos, patos  Martelar de sapos Manhãs de ontem fazem   Manhãs de paz Cheiro de chuva Chaminé, cheiro café O bom acordar Cantos, pássaros Chão de terra, relva Sereno, beija-flor Um quintal faz muita falta Orvalho cristal Roupas no varal Balanço na mangueira A espera do carteiro Um quintal faz falta Coentro,salsinha Couve, cebolinha O cão e seu latido Foi ontem... Hoje meu acordar Sirene de bombeiro Chão de malícia Milicia,polícia Nada de flores Nada de abelhas Vida nada mel Alegria artificial Homens cegos, mudos Homens surdos Suas telas games de guerra Imagens em 3d Gafanhotos devoram  A fauna, a flora Sapo martelo volte com seu martelar Traga meu quintal Quintal que fora ontem