sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sonho de Bana

Bana como muitas crianças
Há muito não brinca como criança
Sua Aleppo, ruas de ruínas
Sua casa, ruína, sua escola, ruína
Bombas, fuzis e balas
Não há água, não há luz
A morte não da trégua
lágrimas, lamentos
Porquê tanto sofrimento?
Quê mal fez as crianças?
Bana e outras como  ela
Sonha com o fim da guerra
Guerra dos adultos
Guerra de quem não pensa como as crianças
Bana sonha...sonhos bons para sua Síria
Sonha em ensinar crianças e adultos
Como vencer suas guerras....
Sem morte, sequelas
Abrir mão de suas verdades
Todas elas são mentiras
Todas elas são vaidades de maldades
Bona diga a todos que a verdadeira Verdade
Não mata, não faz injustiça
Ama a todos principalmente as crianças
Ela não vem de fora para dentro
Vem de dentro para fora
A quem se fizer como criança
Bana cresça mas seja sempre criança!
Com soldados e bombas
Não mais veremos sua sonhada Síria.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

INVASÃO

Há um ponto fora da curva
Vejo tudo fora da ordem...
Poesia fria...não queria que assim fosse
Muita informação, pouco saber
Muita enformação
Não é um erro de grafia
É a forma do mundo
O saber não está em banco da escola
Há pontos fora da curva
Lições do desaprender
Mestres sem alunos
Alunos mestres de si
Lugares onde se ri ou se chora
Hospital ou escola onde estamos?
Gasto de energia inútil...Massa de manobra
Velho discurso...mudar!
Vamos mudar o outro,  eu?! Eu não mudo
A lição do Mestre dos Mestres
Não sei e nem quero aprender a
Não se guarda vinho novo em odre velho
Sangue e lágrimas no pátio da escola
Uma lápide, um deboche
Aqui jaz o saber
Professores em dores,  alunos aos gritos
Até quando essa velha palavra de ordem?
Até quando essa desinteligência?
Invasão de ocupação
É para aprender? A escola a quem pertence?
Gritam os pais! Lágrimas dos mestres!
Mudança de fora para dentro, não muda
Mudança prédio caiado!
Mudar de dentro para fora, será assim?
Se não assim, damos tiros em nossos pés
Desaprendemos todos!
Gastemos nossas energias em emoções úteis!
Cada um com seu saber
Em seu tempo próprio e seu espaço
Respeitemos o próximo!









terça-feira, 14 de junho de 2016

Prazer de ensinar

Quem poderia ter tanto prazer?
Deixar o seu lar céu
Para viver o fel
O mundo cão em caos
Quem poderia deixar o seu tempo eterno?
Para viver instantes cruéis
Tempo finito dos homens
Deixar suas ruas de ouro
Para viver o drama da lama iníqua dos homens
Houve a Palavra que se fez carne
O pleno trazer de se doar
Prazer de ensinar          
Doentes do corpo, da alma e da mente
Um brado do céu se ouviu
Este é meu filho amado, ele me dá prazer
Livro desatado e aberto
Sem o véu da separação
Ele fora, ele é o Mestre dos mestres
Simples sem pompa, sem anel no dedo
Não escreveu nenhum livro
Mas era ele sua própria matéria
A palavra de ricas licões
Que homem é esse?!!
Sua paixāo de ensinar sobre a vida
Quando a morte o rondava
Que Mestre é esse?!
A morte o rondava! Ele não desistia
De seu sonho fez sua meta
Salvar vidas de todas as nacões
Suas licões como vencer a morte
Com seus discursos fez multidōes de discípulos
Ensinou-os a caminhar dentro de si
E perceberem o prazer de beber em sua fonte
Fonte da água da Vida.




quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Nossas fomes

Sempre os mesmo desejos
Ano após ano...séculos...
Sonhos de dias melhores...
Por onde o homem passou
Deixou suas marcas...
A maior de todas
A marca da dor da fome
Duvido você ser o mesmo
Depois de ouvir a dor da fome
A maior de todas as dores
Dor da fome...
Ela afeta além do físico
Aos que têm alma, afeta...
Não há nada mais triste e cruel
Que choro em uma criança
Estou com dor!
Mães e pais também famintos
Perguntam por perguntar
E as pobres criaturinhas apertando seus ventres
Respondem estou com dor da fome!
Dor da fome na África, dor da fome na Síria...
A maior de todas as fomes; dor da fome
Tenho fome para ver gerações de  A,Y e Z
Abrindo suas janelas para sentir e ouvir
A dor da fome...
Gerações de Y a Z crie seus inventos
Não se demorem...em seus jogos de guerra
O quê sobram em suas mesas.....
Podem acabar com a dor da fome...






segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Sonhos dos peixes

Os peixes sonham com água
O homem é seu fel
Há muitos não sonham com  mel
O Rio que era doce...
De ferrugem amargou-se
Vale de lama...
Gosma de ferro
Há homens que sonham com os peixes
Peixes e homens sonham com água
Todos cobertos de lama
Ferro do vil metal
Pedras rejeitos...escorrem...
Vale que um dia fora doce
Tudo tão amargo...
Casas não há...lares se foram
Lágrimas em lamas
Lembranças se foram
Dias e dias....agonias
Tudo escorrendo ...
Homens indigentes...
flora e fauna...doentes
Rumo ao mar... nossa próxima vitima
Os homens e seus castelos de lama...




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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O preço

Tudo tem seu preço
O trem não pará ...
O da Central, o preço da pressa...
Passemos bem devagar!
Como em um minuto de silêncio
Há um corpo frio sobre a linha
Nada há de se fazer...
Não toque suas mãos!
O trem tem pressa de chegar
De quem  é o corpo?
É do outro...
Não irá se mover
Da mesma forma não irá se mover
O maquinista, o chefe da estação
todos estão mortos
Não morreram naquele dia
Morreram e faz tempo
Estão a cada dia mais frios
A lição do Bom Samaritano
Aqui não se pratica
Desfalecido ou morto?
Não toque é coisa pra perito!
O trem passa bem devagar...
O corpo frio sobre a linha
Corpos frios na plataforma
Assistindo a cena imbecil
Mortos, carregando o morto
Olhares sem ação...
O trem tem pressa...







domingo, 7 de junho de 2015

Falar só

Muitas vezes falo só
Fiel amigo Argos
E você sabe o quê é ficar só
Muitas vezes fico em meus solilóquios
Fiel amigo sempre esperamos nosso Ulisses
Muitas vezes esperamos o último alhar
Não fazemos mais parte das conversas
Refletir dói a cabeça....
Somos deixados de lado
Mundo veloz em todos os sentidos
Poesia, minha poesia, estamos fora da ordem
Quem se importa com nossos versos ?
Contamos nos dedos,somos poucos Argos
Há também poucos Ulisses
Para algumas Penélopes você não mais existe
Como mudar este olhar?
Reciclar vidas....máquinas e robôs
Sangue e Silício...
Eu suplico!
Não quero morrer sem o seu olhar
Tenho palavras,  se eu morrer
Aqui jaz a poesia
Não há túmulo para o que é eterno
eu volto sempre...