quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vida boa


Há tempo que não vou
A uma praça
É de graça
Meu tempo
Não vale o dinheiro
Um banco, uma sombra
Uma conversa de amigo
Babás, risos, crianças
Há tempo que não vejo
Jornaleiro, palavras cruzadas
Pipoqueiro, sorveteiro
Crentes pregando,
Coreto e banda
Canções de saudades
Namorados, sorrisos e beijos
Há tempo que não faço feriado
A preguiça de dormir na grama
Pombos, pássaros, fonte
Ipê, flamboyant, azaleia
Outono flores no chão
Há tempo eu não vejo
Pique esconde, amarelinha
Meninas pulando corta
Há quanto tempo
Não me dou este sonhar
A praça resiste
Pesadelos, soldados, malandros
Meninos de ruas, postes sem luzes
Fonte sem água
Praça sem graça
As crianças se foram
Dos homens ficaram
Lágrimas saudades.

Um comentário:

  1. É meu amigo, o tempo andou mudando muita coisa, e as pessoas hoje em dia têm medo de viver livres como antigamente. E não é pra menos, a violência calou as brincadeiras de rua, as conversas sem pressa, o próprio tempo mudou...

    Hoje em dia vejo da boca de todas as pessoas sejam pessoas mais velhas ou mais jovens: " Eu não tenho tempo!"

    Vivo dizendo isso, e a sensação é mesmo que o tempo esteja escorrendo pelas minhas mãos, esse semana assisti no jornal que a nossa mente já nem consegue capturar o tempo como antigamente e que temos a impressão que ele corre.

    Onde vamos parar?

    Será se no futuro vamos fazer praças dentro de nossas casas e conversarmos pelo computador até mesmo com pessoas de nossa família? Ai ai ai...rsrs

    Clamo por tempos melhores.

    Um abraço meu amigo.

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