Pular para o conteúdo principal

Postagens

Anjos

Há anjos em nosso meio Anjos falam nossa língua Não enxergamos Não hospedamos A lição de Ló esquecemos A cidade em caos Uma Gomorra que morre Sem dono... Sodoma Os Anjos falam Por minha boca Por tua boca? Não temas, eles falam A terra treme A terra geme O principio das dores Quando o fim ? Não há data Não há dia Não há ano Não ouça os homens Com os anjos Em um piscar de olhos Em nuvens virá O dia fatal O juízo eternal O salvador das vidas Será saudado... Pelos anjos pelos homens Homens que se fizeram de meninos O dia fatal... O dia do choro eternal Choro de tristeza Choro de alegria Tudo está consumado.

Nomes

Não se pode ver Não há tempo, espaço Elas têm nomes Elas rolam marcando Fogo, ferro, água Seus nomes são lágrimas Abandono, cão sem dono Desamor...elas rolam Está na boca do Acre Inundando as casas Animais e homens A espera da arca de Noé A espera de um pé A espera de uma mão As chuvas que não secam Fogo, ferro e brasa As lágrimas tem codinomes Descaso, omissão, fome Está no ventre do Piauí Lágrimas sem água A espera de um pé Mato qualquer... Chão rachado Quando virá lágrimas? Chorar conosco E nos trazer Uns dois dedinhos de água Estas gotas invisíveis Em meu rosto têm nomes Solidão, sofridão... Não quero ofende-los São lágrimas...

Flor em deserto

A caravana vê os cactus Espinhos , não flores Quem anda em deserto Só espera água E morrer na areia Um olhar em desalento Um olhar desatento Deserto, garganta sedenta Lá está solitária beleza A água do seu olhar virá ? Uma flor dura pouco Instantes de vida Rara beleza Sombras que refrescam Retinas atinam Pode não haver o amanhã Ficarão as águas Nuvens sem chuvas Sinais não exatos Lá estão cactus... Lá estão espinhos... Lá a bela flor... Será para quem? Viajantes que se arriscam Olhar uma flor Acharão fontes... Lágrimas de alegria Flores e homens Paisagens amenas Nem só de água vive a flor Nem só de água vive o homem

Bicicletar

O ritmo das rodas Nas cidades dos homens Automóveis não se movem Bicicletar é hora Bicicletar... sonhar Em que ruas pedalar? A vida não parou Para o bom ar no rosto Diz Sophia: quero bicicletar Sabedoria de criança O carro mata Sou pequena Meu avô é grandão Ele sabe bem bicicletar Eu sonho como Sophia Barulhos de risos... Idosos, crianças Não acordem os carros Quero aprender bicicletar.

Penso logo...

Meu Caro René quero entender Angustiante realidade das cidades Seres, pessoas sem reconhecimento Seres aniquilados Catástrofe humana, inverno de morte O amor, não amou, esfriou... Não-pessoas em todas as partes Não-pessoas, estranha classe de pessoas Desaparecem nos presídios Não há juiz de Plantão Nos corredores dos hospitais A espera da morte Não há médico para as não-pessoas Caro René quero apenas dizer Não há nada tão angustiante Do que existir, não existindo O que é ignorado não existe Há não-pessoas nas ruas, nas calçadas Nas escolas, nos abrigos, nos cortiços Descartes... penso em exclusão Há um buraco negro em nossa selva Ignorar as não-pessoas será o fim Um mundo quadrado, patologicamente Condomínios doentes...desagregação da mente Não há aproximação, anomalia, esquizofrenia O que desejamos? para onde ir? Sempre que desejamos, nos falta algo Desejamos o que não somos Assim o desejo é sempre o que nos faz falta Precisamos do outro para existir Pessoas, gente como a gente.

Aldeia

Me doeu pensar assim Quando alguém me diz não A vida diz sim Há tribos com iPod, batatas fritas Não me venha com seu pensar Vou baixar a banda da hora Os índios de minha terra Sem opções Pensar em Dourados Não há ouro Não há prata Comer e beber Coca-cola, hamburguer X tudo, X salada Não há peixe, mandioca Vidas em desafetos Vidas Afetadas A morte não agenda a hora Estamos na mesma canoa Imagem efémera Vaidade, das vaidades Tudo se vai...

Gavetas

Nas gavetas não se prendem Sentimentos, pensamentos O que criança fala é bom escrever Algo muito mais feroz que as traças Cupins não entende as metáforas Metáforas entende os Cupins Eles podem comer o papel Eles podem comer os versos A poesia jamais No obscuro, há luz Em gavetas estão os sonhos Apenas a espera de asas Voar por todos os cantos Para nos intrigar Com perguntas sem respostas Eu quero entender Vietnã seus inocentes Eu quero entender O homem na lua Marcas sem futuro Seremos os primeiros Perguntas sem respostas Respostas sem perguntas Morre quem for pacifista Na luta de seu sonho Nas gavetas dos generais, guerras Na de Luther a paz Não há vencedores Perdemos no olhar Podemos no observar O que a criança fala Homem não escreve Continuam em gavetas Pesadelos... Não podemos dormir Em lágrimas... Buscamos respostas Para quem este mundo? Para os meninos homens Ou homens meninos?