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Alguns instantes

Passei em sua vida Por alguns instantes Nada fora como antes O olhar não fora o mesmo O riso não fora o mesmo Não se repetem Os mesmos passos na areia Nada fora como antes As pedras que jogamos No mesmo lago De águas calmas Seus círculos... Não foram os mesmos O hoje não será como ontem Por alguns instantes Olhe para os meus olhos Há uma lágrima de felicidade Você passou em minha vida Por alguns instantes Sonhei brincar na chuva Por uns instantes A água nos molhou Risos... a dança Alguns instantes A felicidade contigo Alguns instantes Seu olhos, seu corpo Sua voz dizendo Fique alguns instantes...

Dias Velozes

Os dias são velozes O tempo é contabilizado Não há tempo para pausa Não há tempo para escuta Os dias são velozes Os dias são vorazes Há uma distância São poucos os ouvidos Era da informação Muita transmissão Pouca percepção Pouca reflexão Há uma ficcionalização Do horror, do banal Em dias velozes Como sentir as flores Aroma de remorso?... Ou perfume de confissão?... Dias velozes Não são belos, não são feios São grotescos Eu clamo por lentidão Lugar para se sentar E perceber que não basta Twittar Na lentidão damos as mãos Sentimos o frio, o calor E o pulsar dos corações Tudo isto são pétalas Que precisam de receptáculos Em vidas mais lentas Virão as flores As saudosas abelhas E dias mais doces...

Éco

Volátil

Há uma luz volátil Que retinas não atinam Os olhos opacos de carne Cegos por luzes, neons Há vagalumes ora luz Ora escuro, tombos Calombos no corpo Feridas na alma Por alguns minutos fama Se vende a vida Por qualquer dinheiro Por qualquer prazer Luz, flash, notícias Há mariposas que brigam Mortas famintas por luzes Luz volátil, fatal escura Fama, forma a cama Reduto dos mortais De um sonho temporal Luzes que queimam Fogo que destrói a alma Para quem tem a retina de carne Há uma luz atemporal Há uma luz eternal Onde os pés não vacilam Clarão do Caminho Luz para o imundo Clarão para estrada Caminho do Céu Há uma luz Para os olhos da fé Jesus, a luz que não agride Para quem se deixa enxergar

Náufrago

Como um náufrago em busca de uma ilha Saí pela amanhã em busca das palavras Palavras abrigo, alimento e amenidades Há uma rapidez em não se bastar Olhos e mãos, neuroses em ações Busco encontra-las para acalmar minh'alma Caleidoscópio formam versos, desenhos Lágrimas de crianças e homens que choram Saio pelas noites em busca de palavras Náufrago que retorna para praia em caos Os ventos dos inventos não trazem paz Nada moderno,tudo tão antigo Corações sem afagos Mudos, surdos e cegos Oceanos de enganos Tempestades, furações Perdi a capacidade de compreender As questões que animam a vida A poesia objeto de arqueologia Em meu dia a dia, palavras frias Notícias repetidas, mortes e corrupção Como ser poeta em um mundo tirano ? Uma obsessão pelo mal Não sei se estou morto ou vivo A verdade é a maior vítima Sangrando em sua morte Os homens preferem a mentira Saio pelas ruas em busca Da palavra paz que no mundo não a vejo Ausente em mentes que mentem Tenho a...

Os muros

O eu fez um muro Não quero enxergar o outro O desejo do eu o aliena O eu não se nutri da falta do outro O eu, senhor solitário de um pensar Aniquila o se dar, o se doar Tem ao seu redor Jardim para quem as flores? Ao outro, o jardineiro? O eu o dono da casa Não sente o ar Não sente o cheiro da terra Não consegue conceber Abelhas e mel O eu e a tentação... Excluir o outro Intolerância as diferenças O eu e o outro... divisão Estradas, povoados, plantações O eu e o outro suas razões Muros, cercas O eu não percebe o outro Porque no escuro o eu Vem sem rumo Sem prumo Cambaleante Beber da água do outro Derrubando os muros Se findando nos braços do outro