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Eu

Eu era muitos Enquanto rolava o mundo Um jovem querendo saber O olhar e o rosto da bela menina O coração acelerado Olhava os cadernos...o que sonha? Os olhos e seus mistérios As moças me inquietavam Um perfume de sonhar Eu era muitos.... A espera de um sorriso Meus sentimentos Eu um vulcão confuso Querendo viver um grande amor No campo, na praia As noticias eram de guerras Eu era muitos Como pais que perdem seus filhos Nas guerras ....nas drogas... Uma sucessão de sol e tempestade Porque sofrem os inocentes? Quer plante árvore, quer crie palavras Porque esta guerra não tem fim? Eu era muitos.... Um menino, um jovem.... Faço ainda hoje um pouco das idades Eu sou muitos.... Mas como sonho ser um menino

O lixo

Estou me lixando A voz de quem iria limpar a cidade Cuidar das vidas Melhorar nossas estradas Ativo dentro de um pensar Não dou a mínima As ruas sangrando nossos lixos O abandono de gestos, ações Falta tudo a muitos Há tudo a poucos Onde irá parar Este ser que está se lixando? Um chiclete na calçada Um papel de bala Cigarros sobre o chão Estou me lixando Em que coleta colocar este homem Metal, plástico ou papel Incinerado? e ele se deixa? E das cinzas nascer de novo Na alquimia de Deus Água vira vinho Morto passa a viver Ficar se lixando... Mentes baldias... não dá !

No meio do caminho

No caminho há um pedra Drummond nem sonhava Em Minas, São Paulo até Brasília Há um Pedra no caminho Pode ser escondida na palma mão Homens, mulheres e meninos Quem dá dois por uma pedra? Quem tem uma nota de cinco? Em um cachimbo a fumaça Euforia de morte, alucinações A pedra gravada na mente Neurônios sangrando morte Zumbis inquietos Agora ao chão Ratos, baratas Juntos resto de gente Nada que não seja a pedra Parece tocá-los São poucos minutos Viagens ensaios de morte A bolsa do crack a noite inteira Comprando e trocando tudo Salsichas vencidas achadas no lixo Tudo por um a pedra Crianças, vidas marcadas Mulheres grávidas Vivendo com os ratos Nas marquises das ruas Socorro! socorro! Gente bem vestida Tênis da moda Moradores de rua Não existe mais rico Não existe mais pobre Todos rente ao chão Socorro!... nos socorram! Os homens inventam Pedra da morte Deus nos deu a Pedra da Vida Os construtores rejeitaram Ele se tornou a Pedra principal Não há salvação em nenhum outro Só Jesus... Só ...

Eu quero entender

Foi um erro ficar à sombra de seu olhar? Ficar à espera do seu palpitar Eu quero entender As manhãs nos esperam A vida nos espera Para a batalha do viver Há uma luta interna Dentro em mim Vem me ajudar Estou só neste final de tarde Vou fazer pipoca Vamos ver o filme de nossas lutas Onde erramos? Nas palavras? Nos afetos? Foi um erro esperar Você não veio Fui à sua casa Não fui reconhecido Depois desta odisséia Só seu cão me esperava Morreu feliz ao me ver Eu quero entender Um animal me reconheceu Um humano não me viu...

Imagem

De onde surgiu este homem De onde me vem este robô cinzento De onde me vem este ser biônico Dos papiros não mais Vem dos livros eletrônicos Aguardamos as profecias Seus fatos em atos Um chip na mão direita Um sinal na testa O código de barra Não se compra Não se vende 666 o número sua senha Um grande confronto Joelhos diante de imagem De onde me vem este homem Rascunho borrado Não quis ser imagem de Deus E sim boneco de trapo Nem o seu cão o conhece mais Não era para ser assim... Quer saber o final ? O bem sempre vence

Logo agora !?

Quando nós vem a chuva não entendemos Temos de pronto, um logo agora !? Quando nos vem o sol e seu aquecer A língua bem afiada logo agora !? Nossos olhares se vão não percebemos A exatidão da intervenção No logo agora nascemos No campo as plantas As vidas em um todo precisam de logo agora Como é bom um logo agora A visita na dor As mãos logo agora em um rosto que sofre O pão logo agora ao faminto Um logo agora de paz As cabeças estão doentes Pânico, solidão... Os pés caminham Guerras sem fim Mortes, furações Quem entende do tempo ? De todas as eras ? O logos de Deus veio ao mundo No seu tempo exato Para nos fazer entender O porque de um logo agora.

Em um canto

Há um canto... Em armário velho, as sobras Tintas, pregos e parafusos Há um baú onde estão Presente e passados Álbum com lembranças Um dia talvez eu precise Consertar alguma coisa Retocar as paredes Objetos em cantos guardados O cheiro do desprezo O mofo do abandono Mas um dia eu posso precisar Dias e anos, a ideia Posso precisar... Crianças não toquem nisso Há coisas que eu vou precisar Em nosso coração a um canto Como um baú bem fechado Onde colocamos Deus Um dia eu posso precisar... Um deus, ideia, objeto Em nossa tolice Guardar o que não é limitado Guardar o insondável Ele está em todos os espaços Em toda casa No céu, na terra Além das estrelas, ele está Não se guarda o que não se tem O Deus criador nunca será sobra O deus objeto está morto O Deus verdade está vivo Para quem o conhece Ele está em todos os cantos Nunca será sobra Nem sombra Ele é luz.