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Faz tempo...

Agonizam as Savelhas e outros peixes Faz tempo...a culpa? Não é minha A culpa não é sua...é do outro... Sabemos como maquiar nossas águas Sabemos como maquiar nossas desculpas Nosso mar, nossas lagoas são vistas do alto Não é hora para remexer suas águas Escondam nossos peixes, agora é festa A esperada festa Olímpica... disputas, recordes, podiums, medalhas... joguemos limpo...cuidado com os testes antidoping e agora maquiaram nossas águas...? Se tudo for sério nossas águas estão hiper dopadas eu esqueci, as águas já são punidas faz tempo... Nossas águas faz tempo, não são águas quanto  aos nossos peixes...? Faremos uma nova cidade, Porto Maravilha! O maior aquário da América Latina Só não combinaram com os peixes A onde eles querem morar Em gaiolas de vidros? O homem é seus inventos... Porque não reinventar nosso antigo mar? Barcos movidos á velas Somos os primeiros em ilusão Os primeiros em fantasias Faz tempo....é preciso uma bris...

Sons do silêncio

Tenho tentado entender Não consigo conceber O que fazer com meu lapidar Cinzelar o silêncio...escultura de horror A cada martelar sons de dores Cinzelar o silêncio... Abstrato sem rosto Imagem sem sabor Gritos...dentro em mim... Não posso olhar para frente Se olhar para trás viro estátua de sal Saio de Sodoma entre em Gomorra Meu martelar... lapidar de horror Minha terra está em guerra Diga-me é mentira ? Há sons do silêncio Os homens estão cegos, surdos e mudos As pedras Elas são brutas Clamam por vidas Voz de trovão...gritos, urros... Garganta seca... . Água!...água! Principio das dores.... O fim disto tudo só um é que sabe.

VER O VERDE

As sementes vão ao lixo São muitas sem chão Quantas vieram as suas mãos? Quantas não foram ao chão? Feito estrelas no céu Não se pode contar Não germinam em pedra Pedra é o que mais há Sementes vão ao lixo Vamos juntar...este ouro Laranja, manga, melão Caqui, goiaba...sementes ao nada Ficam ao beira do caminho Pelos homens são pisadas Os homens são pedras Em pedras não vingam nada Quer ver o verde traga a sua semente Aquele que irá ao lixo Não é preciso muito Apenas uma semente Frutos mil... Aos homens aos pássaros Vem o pão...a lição Crianças ensinem aos homens Como ver o verde A sombra de uma árvore Olhe os frutos... sementes milhares! Sementes, frutos sem fim Escolas mostrem aos meninos Papel, plástico, metal e vidro Final de festa...tudo se presta  Onde está a coleta das sementes?! Sementes não são lixo... Vamos ver o verde Nem que seja em vaso de concreto.

CEDER

Preciso ceder esta minha sede Já era tempo, há séculos ... Preciso ceder a sede de muitos... Aprender o que nunca para mim foi lição Sempre bebendo em meu umbigo Cisternas, cacimbas, nunca foram minha cina Preciso ceder esta minha sede Sede de água nas calçadas... Os gritos de muitos por água Sertão e suas promessas Promessas de homens Promessas para os Santos Terra seca, me mande água A sede chegou em outras portas Falta H2O onde nunca poderia faltar Preciso aprender a ceder minha sede Banho sempre foi luxo para muitos... Com sapato apertado não se pode dançar Lembro do meu chinelo velho... Água para matar minhas sedes... Não cedemos nossas bocas A quem mais entende de água e sede Continuar  bebendo água de volume morto? -  "Quem beber da água que eu lhe ter do seu  interior irá fruir rio de água-viva É preciso ceder ... Ceder nossas sedes, ir de caneco em caneco Ao dono da fonte Há um deserto em nós...

Ser negro

Não consigo respirar... Meu mal, nascer na cor errada Sonho de Luther, igualdade Não consigo respirar Há morte em série... aos que tem a cor errada Morrem sem piedade Não consigo respirar Policia, justiça matam em série Aos que tem a cor errada Quantos são preciso para testemunhar? Pobre Eric Garner seu crime capital Ter a cor errada Morreu com uma gravata Por uma polícia branca Que só enxerga o negro, como cor errada Não consigo respirar... Como tributo aos de cor errada Provoco com uma pergunta Se fosse o contrário A justiça enxergaria a cor exata?... Estamos de luto...cor de uma raça.

Semi...

Há um terrível mau Uma doença em nossas vidas Absurdo das epidemias Pior que as dos ratos A peste ficção de Albert Camus Verossímil abismo... Estamos enclausurados Observando os absurdos Invasão dos semi-deuses Excelentíssimos senhores de todos os poderes Semi-deuses, aos amigos tudo... Aos inimigos a lei Semi-deuses não erram, cometem equívocos Não são corruptos, fazem maus feitos Semi-deuses de tempos em  tempos saem as ruas Beijam as crianças dos pobres mortais Comem  pasteis com  caldo de cana nas feiras livres Logo depois... Marquem suas audiências Semi-deuses não se misturam Não crie ironia a um semi-deus Ele não é deus mas é quase... Cuidado com sua ira! No conselho dos homens um erro Não se justifica com outro erro No conselho dos  semi-deuses Há  uma ética do silêncio... Semi-deuses dirige seu automóvel sem documentos Vivemos em nossos dias as dores do poder Não temos a quem  recorrer Somos ...

As portas

Oh! Nobre de berço Há percepção sem objetivo Há  distorção, alucinação Cores e formas, céu e inferno Há portas que a percepção é difusa Over dose sem retorno Livre Sem Deus  Navio sem leme rumo ao admirável mundo novo Onde o homem ilha se perde em trilhas O crack, caminho sem rumo Efeito da mescalina e suas miragens Morte em vida, porta larga... Pedras de tropeço... Só há um jeito de ultrapassar a morte A certeza no que o olho não vê Oh, nobre de berço não seremos livres Se não conhecermos a verdadeira percepção O quê eu frágil homem posso querer? Como melhor se  sair das garras da morte? O homem de Nazaré...e sua percepção Senhor em suas mãos entrego meu espírito Três dias....dormindo com Deus O eterno não morreu Foi preparar um novo céu um nova terra O que Aldous Hexley precisava enxergar.