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Gota a gota

Aos poucos, gota a gota Chuva é feito disso Gota a gota Os dias são somas Gotas de olhares A luz é feita de gotas Gotas de raios Mas há muita treva Olho por olho Boca sem dentes Se vão os meninos Pobres inocentes Triste cina mães de Israel Mães da Palestina Muro gotas de cimento Rios de lamentos Sem sabor de leite Sem sabor de mel Cores de algozes  Matizes de vítimas Cai sobre nós Sobre nossos filhos Sangue inocente Não se lava as mãos Terra a quem prometida? Gota a gota escorre ao chão O reino dos homens Gotas de pó...

O Grande Nada

O deus deste século O Grande Nada Leva a muitos ao seu alienar A crença em um Nadarismo Destruir, aterrorizar Ferir, matar Os tolos vedem suas almas Ele não junta, espalha Não planta mas quer colher Não soma só subtrai Pai dos soberbos, dos tiranos O Grande Nada, holocausto do terror Sua ira não se aplaca Queima ônibus Saqueia lojas Impede o ir e vir Fala em liberdade... Não tem raiz Não dá frutos A covardia em osso Não tem cara Esconde o rosto Seus príncipes Seus meios, seus fins Não levam a nada Nada é nada Usa roupa de marca Com perfume de terror

Busco

Não consigo dormir Não é minha cama Tenho procurado, busco... Nas manhãs em meu lidar Busco nas ruas, busco nas praças não a vejo nas lojas não a vejo nas ruas Não se ensina nas escolas O dinheiro não compra Na fama não se encontra   O que é caro é raro Valor de tesouro O que transforma o viver O prazer de um ser A certeza do certo A certeza do bem O gosto do bom O quê muda o olhar O que determina um dormir não vem pela maciez de um colchão O sonho que muda toda a realidade Busco, tenho buscado Não vejo no mar Não vejo no ar  No vejo na terra O que busco o mundo não dá Quem sabe onde encontrar? -Eu dou a minha paz Invisível aos olhos Voz que faz dormir sobre uma folha de jornal Se dorme o melhor dos sonos Quando se encontra  A verdadeira Paz.

Versos soltos...

Há olhares que são pedras outros retinas Estamos na era das chacinas Gostamos de lustres mas nosso chão está no escuro Homem carne e silício lições de neuroses Escola de homens As taças das mesmices Celebram os velhos hábitos O mal tornou estopa, sua obra faísca Ambos irão arder Já sentimos a fumaça Há palavras elas foram ditas não tente mata-las Elas são pão, elas viram vidas No momento pisadas pelos nobres maltratada pelos tolos Os homens e suas escolhas Vaso quebrados só um novo Não se colam diamantes Querem ser barro? Tens minhas mãos Faço tudo novo Gente humilde Meninos precisam ser homens E homens, meninos com alma O mundo não se sustenta Vive de circo Não conhece o Pão Não falei de amenidades... Quem sabe amanhã Se houver trarei as flores.

Na terra do possível

Na terra onde vivo  não há espaço para amenidades Cidades onde os automóveis não se movem Nossas praças sofrem de solidão Flores conversam entre si Silêncio dos pássaros Não há olhares de perceber Os mentigos fazem suas cirandas Os políticos suas promessas O homem mau á espera de suas vítimas Não há sombras, não há sol Não há meninos, brincadeiras e risos Tudo muito sério, muito adulto... não quero esta herança Vou fazer um outro inventário Inventário das coisas invisíveis Crianças podem tocar e brincar com as nuvens, há nuvens de todas as formas, carneiros, pássaros, gigantes e formigas Elas podem brincar junto ao céu Elas podem brincar junto a terra Há nuvens para todos os meninos Há nuvens para os homens Homens que se deixam Homens  que enxergam coisas invisíveis Coisas que o dinheiro não compra Tudo na vida é feito de nuvens Como um grande lego... Há brinquedos de construir sonhos Há outros que são nuvens vermelhas inventário de morte Basta ...

Dar voltas

Vamos dar um rolezinho Sim um rolezinho dentro de nós Chame os manos, as minas  Precisamos de um papo reto Há um abandono intelectual Escolas sem alunos Alunos sem professores Há um abandono, não se aprende a ser Neste admirável mundo novo Só nosso rolezinho é tão velho Vamos ocupar nossas praças Nos shoppings só os sentidos fazem sentido Só o prazer  de se ter, novidades de vaidades No Maranhão há umas pedrinhas Escaparam pelas mãos,  Atingiram Ana Clara Inocente criança  Ela pagou o preço Vamos dar um rolezinho Hoje pensamos mais em prisões Onde há escolas? Dinheiro não se faz o saber Rio, São Paulo, Brasilia Tudo na mesma agonia Vamos dar um rolezinho Em nosso pobre Piauí Há um saber em Cocal dos Alves Vamos dar um rolezinho onde se dão as maõs Augustinho Brandão onde o dever de casa se faz bem feito, modelo para muitos Vamos dar um rolezinho Dentro de nós Só se muda se eu mudar Estamos presos Não sabemos o que é ser livre Vida ...

Selfies

Esticar o braço apontando para o rosto Autorretrato se espalha... Há uma intenção, prazer, diversão O mundo é dos Selfies... Vivemos de imagens... vivemos à narcisar A vida é mais que imagem  A imagem pode ser vida Perpetuar o tempo, Perpetuar o espaço 0 gene do ego Richard Dawkins  diz isto Gene de uma cultura Luzes que geram cópias Agradáveis,com risos Não tão bem com lágrimas Possuem um significado Imagem do lado de fora Estamos em uma corrida Na velocidade da luz Logo virão as imagens de dentro Retrato do pensamento Saberemos os intentos Imagens ou máculas? Símbolos do bem Símbolos do mal Onde encontrar coragem para mostra seu perfil de dentro? imagens de todo seu pensar A hora irá chegar Não sei se haverá Selfies Querendo compartilhar Suas massas cinzentas faces sem ceras