quinta-feira, 6 de março de 2014

Na terra do possível

Na terra onde vivo 
não há espaço para amenidades
Cidades onde os automóveis não se movem
Nossas praças sofrem de solidão
Flores conversam entre si
Silêncio dos pássaros
Não há olhares de perceber
Os mentigos fazem suas cirandas
Os políticos suas promessas
O homem mau á espera de suas vítimas
Não há sombras, não há sol
Não há meninos, brincadeiras e risos
Tudo muito sério, muito adulto...
não quero esta herança
Vou fazer um outro inventário
Inventário das coisas invisíveis
Crianças podem tocar e brincar

com as nuvens, há nuvens de todas
as formas, carneiros, pássaros, gigantes e formigas
Elas podem brincar junto ao céu
Elas podem brincar junto a terra
Há nuvens para todos os meninos
Há nuvens para os homens
Homens que se deixam
Homens  que enxergam coisas invisíveis
Coisas que o dinheiro não compra
Tudo na vida é feito de nuvens
Como um grande lego...
Há brinquedos de construir sonhos
Há outros que são nuvens vermelhas
inventário de morte
Basta de nuvens de lágrimas!
Busco a certeza nas coisas invisíveis
com minha pequena fé
Remover montanhas
Na terra do impossível, tudo é possível
Aos que semeiam nuvens de paz.

2 comentários:

  1. Reflexão muito bonita. Assim que comecei a ler, lembrei de um trecho de um cordel feito por Antônio Francisco (RN).

    "Acordei para chorar
    Debruçado no meu leito
    Daquele sonho pra cá
    Nunca mais dormi direito
    Ora tentando esquecer
    Ora pensando em fazer
    O mundo daquele jeito"

    Abraço!

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  2. Meu Deus, que coisa linda, seu Aguiar! Parabéns por sua sensibilidade! Deus te abençoe e a sua família, meu amigo!

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