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Prazer de ensinar

Quem poderia ter tanto prazer? Deixar o seu lar céu Para viver o fel O mundo cão em caos Quem poderia deixar o seu tempo eterno? Para viver instantes cruéis Tempo finito dos homens Deixar suas ruas de ouro Para viver o drama da lama iníqua dos homens Houve a Palavra que se fez carne O pleno trazer de se doar Prazer de ensinar           Doentes do corpo, da alma e da mente Um brado do céu se ouviu Este é meu filho amado, ele me dá prazer Livro desatado e aberto Sem o véu da separação Ele fora, ele é o Mestre dos mestres Simples sem pompa, sem anel no dedo Não escreveu nenhum livro Mas era ele sua própria matéria A palavra de ricas licões Que homem é esse?!! Sua paixāo de ensinar sobre a vida Quando a morte o rondava Que Mestre é esse?! A morte o rondava! Ele não desistia De seu sonho fez sua meta Salvar vidas de todas as nacões Suas licões como vencer a morte Com seus discursos fez multidōes de discípulos Ensinou-os a caminhar dentr...

Nossas fomes

Sempre os mesmo desejos Ano após ano...séculos... Sonhos de dias melhores... Por onde o homem passou Deixou suas marcas... A maior de todas A marca da dor da fome Duvido você ser o mesmo Depois de ouvir a dor da fome A maior de todas as dores Dor da fome... Ela afeta além do físico Aos que têm alma, afeta... Não há nada mais triste e cruel Que choro em uma criança Estou com dor! Mães e pais também famintos Perguntam por perguntar E as pobres criaturinhas apertando seus ventres Respondem estou com dor da fome! Dor da fome na África, dor da fome na Síria... A maior de todas as fomes; dor da fome Tenho fome para ver gerações de  A,Y e Z Abrindo suas janelas para sentir e ouvir A dor da fome... Gerações de Y a Z crie seus inventos Não se demorem...em seus jogos de guerra O quê sobram em suas mesas..... Podem acabar com a dor da fome...

Sonhos dos peixes

Os peixes sonham com água O homem é seu fel Há muitos não sonham com  mel O Rio que era doce... De ferrugem amargou-se Vale de lama... Gosma de ferro Há homens que sonham com os peixes Peixes e homens sonham com água Todos cobertos de lama Ferro do vil metal Pedras rejeitos...escorrem... Vale que um dia fora doce Tudo tão amargo... Casas não há...lares se foram Lágrimas em lamas Lembranças se foram Dias e dias....agonias Tudo escorrendo ... Homens indigentes. .. flora e fauna...doentes Rumo ao mar... nossa próxima vitima Os homens e seus castelos de lama... .

O preço

Tudo tem seu preço O trem não pará ... O da Central, o preço da pressa... Passemos bem devagar! Como em um minuto de silêncio Há um corpo frio sobre a linha Nada há de se fazer... Não toque suas mãos! O trem tem pressa de chegar De quem  é o corpo? É do outro... Não irá se mover Da mesma forma não irá se mover O maquinista, o chefe da estação todos estão mortos Não morreram naquele dia Morreram e faz tempo Estão a cada dia mais frios A lição do Bom Samaritano Aqui não se pratica Desfalecido ou morto? Não toque é coisa pra perito! O trem passa bem devagar... O corpo frio sobre a linha Corpos frios na plataforma Assistindo a cena imbecil Mortos, carregando o morto Olhares sem ação... O trem tem pressa...

Falar só

Muitas vezes falo só Fiel amigo Argos E você sabe o quê é ficar só Muitas vezes fico em meus solilóquios Fiel amigo sempre esperamos nosso Ulisses Muitas vezes esperamos o último alhar Não fazemos mais parte das conversas Refletir dói a cabeça.... Somos deixados de lado Mundo veloz em todos os sentidos Poesia, minha poesia, estamos fora da ordem Quem se importa com nossos versos ? Contamos nos dedos,somos poucos Argos Há também poucos Ulisses Para algumas Penélopes você não mais existe Como mudar este olhar? Reciclar vidas....máquinas e robôs Sangue e Silício... Eu suplico! Não quero morrer sem o seu olhar Tenho palavras,  se eu morrer Aqui jaz a poesia Não há túmulo para o que é eterno eu volto sempre...

Faz tempo...

Agonizam as Savelhas e outros peixes Faz tempo...a culpa? Não é minha A culpa não é sua...é do outro... Sabemos como maquiar nossas águas Sabemos como maquiar nossas desculpas Nosso mar, nossas lagoas são vistas do alto Não é hora para remexer suas águas Escondam nossos peixes, agora é festa A esperada festa Olímpica... disputas, recordes, podiums, medalhas... joguemos limpo...cuidado com os testes antidoping e agora maquiaram nossas águas...? Se tudo for sério nossas águas estão hiper dopadas eu esqueci, as águas já são punidas faz tempo... Nossas águas faz tempo, não são águas quanto  aos nossos peixes...? Faremos uma nova cidade, Porto Maravilha! O maior aquário da América Latina Só não combinaram com os peixes A onde eles querem morar Em gaiolas de vidros? O homem é seus inventos... Porque não reinventar nosso antigo mar? Barcos movidos á velas Somos os primeiros em ilusão Os primeiros em fantasias Faz tempo....é preciso uma bris...

Sons do silêncio

Tenho tentado entender Não consigo conceber O que fazer com meu lapidar Cinzelar o silêncio...escultura de horror A cada martelar sons de dores Cinzelar o silêncio... Abstrato sem rosto Imagem sem sabor Gritos...dentro em mim... Não posso olhar para frente Se olhar para trás viro estátua de sal Saio de Sodoma entre em Gomorra Meu martelar... lapidar de horror Minha terra está em guerra Diga-me é mentira ? Há sons do silêncio Os homens estão cegos, surdos e mudos As pedras Elas são brutas Clamam por vidas Voz de trovão...gritos, urros... Garganta seca... . Água!...água! Principio das dores.... O fim disto tudo só um é que sabe.