sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Nobreza de um pobre Júlio César


Não é nada fácil perdoar , as pessoas ditas" normais" têm dificuldade para lidar nestas situações; e o que dizer de pessoas "anormais" ou ditas "especiais", os esquizofênicos ou chamadas de "tarja preta". Vamos aos fatos: Júlio César e Elizabeth, nasceram e vivem no mesmo bairro sendo que um mora no lado direito e o outro no lado esquerdo, na ladeira da Rua Itaú; de famílias diferentes em todos os sentidos, Elizabeth seus pais tinham uma situação razoável, viviam em uma boa casa com garagem para um automóvel, televisor, telefone, seus pais tinham uma certa formação, com isto sabiam a importância da educação na vida de Elizabeth; podemos dizer uma "família normal".Alguns anos se passaram Elizabeth, na sua pré adolescência sofreu um acidente de carro, em consequência do acidente teve um traumatismo no cérebro, fato que desde este dia sua memória não fora a mesma, sua vida passou a ser médicos, remédios e tratamentos. Na escola seu aprendizado não fora o mesmo, anos passaram adolescência, juventude, hoje Elizabeth tem seus quarenta anos mais ou menos , ora pensa como adulto, ora com uma criança. Os remédios e seus efeitos colaterais.... muita sonolência...Quanto ao Júlio César nada de nobreza, filho de uma família desestruturada vários irmãos em um casebre que mal acomodava a família, tudo era muito pouco: alimento, roupa, educação.Na ladeira da rua Itaú um casebre sem muro , sem cerca. Júlio César e sua triste situação sócio econômica, na escola não tinha atenção para os estudos sua mente era sua barriga como pensar com fome? sua maior alegria era na hora da merenda , que era dada pela escola, Júlio e seu sonho ter uma pipa e ve-la voar, só em sonho e em suas mímicas , fingindo dando e recolhendo a linha, seus gestos de zig- zag para mostrar suas habilidades.Foi assim, é assim a Vida de Júlio César, hoje com seus quase quarenta anos age como uma criança. Na Rua Itaú o que separa Júlio César de Elizabeth são poucos metros e um muro alto pois a casa de Elizabeth tem um, o mais sempre se esbarraram no ir e vir da ladeira. Mas um dia Júlio César e Elizabeth se desentenderam por uma simples brincadeira, Júlio César em suas idas e vindas em seu portão viu Elizabeth do outro lado e disse:-Elizabeth seu namorado passou aqui ,Elizabeth estava nos seus dias de "tarja preta" falou em voz alta:- seu bobo eu não tenho namorado, para de falar bobeira, seu maluco, Júlio respondeu: maluco é você, Elizabeth atropelou e gritou:- não fala mais comigo seu doido.Os dias se passaram na Ladeira da rua Itaú, Júlio César e Elizabeth não se falaram: estavam de mal. passou-se vários dias aquela situação. Mas em um dia bem cedinho Júlio César teve uma ideia, uma bela ideia... pegou uma folha de papel e escreveu uns garranchos : Elizabeth você quer ficar de bem comigo? junto a estas palavras dois quadradinhos em branco sim e não, para ela colocar um X ; Júlio César atravessou a rua e foi no murro alto da casa de Elizabeth e colou a folha de papel. Elizabeth não havia notado a folha colada em seu murro, Júlio do outro lado da rua com os olhos atento para saber a resposta, e nada... e nada de Elizabeth dar o sim ou o não; Dona Zica mãe de Elizabeth notou aquela papel colado no muro, achou engraçado com o papel em suas mãos entrou em casa e disse:- Elizabeth filha com quem você ficou de mal aí na rua ? ...Elizabeth respondeu:- com o Júlio César ele é muito bobo, mas dona Zica tornou a falar:- Ele é tão bonzinho nada de brigar com o coitado ele é uma criança grande. No dia seguinte Júlio César como não vira o papel colado no muro pensou e como pensou... Ela vai responder sim ou será não ?... Júlio e sua ansiedade, passou aquele dia e nada de resposta O que veio em mente , vou fazer outro papel com letras coloridas e vou colar novamente, foi isto que ele fez com letras maiores e coloridas: Elizabeth você quer ficar de bem comigo?, sim ou não e os quadrinhos em branco para o X da resposta. Naquela tarde deste dia veio as chuvas e o papel colorido firme colado no muro só que a tinta escorreu e as palavras ficaram borradas. No outro dia bem cedinho lá estava Júlio preparou outro papel com letras bem coloridas... e ficou sentado em uma velha cadeira a espera da resposta , seus olhos ligados ao muro o dia inteiro , sonhando...sonhando com um sim. Eu passei pela ladeira da Rua Itaú, confesso como eu torço, para ver o quadradinho daquela folha de papel com um sim e bem colorico.Vai ser a maior alegria para Júlio César , ficar de bem com Elizabeth ; Júlio César que mora na rua com nome de banco, não tem um real se quer, mas foi nobre no esforço de ficar de bem.

5 comentários:

  1. Esperei o sim... confesso! Esse é o ideal do cristão... Há muitos assim como ele e ela ao nosso redor. Paciência essa é a vida.

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  2. hoje em dia essas atitudes são consideradas loucura, como a honestidade, honradez e falar a verdade. Mas alguns ainda insistem em viver de maneira digna...pedir desculpas ainda esta na moda? Temos que nos mostrar sempre superiores? Perdoar também é humano, nào somente o errar. Lindo texto!

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  3. 70 X 7

    Perdoar, não guardar mágoas, rancores, ou algo parecido. Como é gostoso perdoar, seja por um pequeno ato, ou um ato de grandes consequencias, apesar da dor que fica, quem assim o faz eu digo;
    É um vencedor em JESUS CRISTO.

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  4. Que lindo!!!!
    Meu amigo , ja li muitos de seus textos , sempre que posso navego por aqui , mas esse texto é uma benção, pois saber perdoar é a maior das virtudes do ser humano e vc nos falou tão bem colocando através da crônica.
    Parabéns!!!!
    Um abraço carinhoso!!!

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  5. Meu amigo querido,
    vou copiar o texto e trabalhar com os alunos no colégio na próxima semana, depois te conto o resultado.
    Obrigada por me dar essa oportunidade.
    Um abraço

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