terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Água

O sol sempre... não faz sombra
Os dentes de brasas marcam
No chão rachado rastros de peixes
O mandacaru esconde sua flor
O gado bêbado por não beber
No céu sinal de fogo
Água ausente ... lágrimas
No estradão barrento
A miragem de umas gotas
Água... será água?
Promessas, rezas, ladainhas
Linguas secas clamam
Banho é luxo, me de migalhas
Gotas, dois dedinhos de água
O sol não se vai
Meu boi se foi, morreu torrado
Sertão sua cima
Morte ao homem
Quem se importa?
Sertão sem pão
Sertão sem feijão
Minha esmola de sempre
Bolsa família dos secos
Nada... nada de molhado
Sertão sua cina
Chuvas de promessas
Rio de salivas...
A água há de brotar
Depois do carnaval
Restos de uma fantasia
Água... água...

3 comentários:

  1. Seo Aguiar, como é bom te-lo como comentarista. Sua opinião é muito importante pra mim, seja sempre bem vindo meu irmão. E você também com sua poesia acaba denunciando as mazelas desse país.

    abraço

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  2. Olha eu aqui de volta Aguiar! Nem precisa dizer o que inspirou escrever a poesia acima. Naquele momento você estava com a imagem do sertão nordestino na em seu olhos e um ideia na cabeça.

    Abraço,

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  3. Caro poeta, esse é um assunto muito delicado. O sertão nordestino está sofrendo com a seca. Sou de uma pequena cidade do Ceará, mas agora por conta da minha faculdade, estou morando no Rio Grande do Norte e por aqui a situação é grave. Para se ter uma breve ideia, uma chuva de 10mm foi motivo de festa para os moradores e até ganhou reportagem de destaque nos jornais. Triste realidade.
    Parabéns por ter abordado este tema em mais um belo poema.
    Abraço!!
    http://ymaia.blogspot.com.br/

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