segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Sem alma

Sou peregrino andando em mim
Ruas, avenidas, alamedas
Sem RG, poeta se disfarça
Andarilho só quer ser livre
Na cidade sem alma
Eu viajo... a seta está cravada
Em um mundo em desencanto
Não há destino para andarilho
Vou no silêncio das luzes
Voando feito pluma
Consigo ver a inutilidade
De quem não quer olhar
Eu percebo a falta de ar
Na cidade dos objetos
Na cidade sem alma
Há adultos fora da hora
Crianças sem escolas
Hospitais sem médicos
Esqueceram, o que somos
Não quero ser um objeto
Sou um ser em extinção
Consigo descançar 
A sombra dos insetos
Nas trilhas das formigas
Consigo entender suas idas e vindas
O sentido do  trabalho
Antes do inverno
Sou peregrino, não mendigo
Não vivo de esmola
Tenho no bolso ar
Tenho no bolso a água
O sol é meu companheiro
Sou rico, busco almas
Sonho viver em uma cidade
Cidade da Utilidade
Onde os homens  são meninos
E meninos homens com almas

3 comentários:

  1. "Sonho viver em uma Cidade de Utilidade
    Onde os homens são meninos
    E meninos homens com almas."

    Belíssimo, amigo!

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  2. Parabéns pelo poema meu amigo.
    "Esqueceram, quem somos."
    Um Feliz 2013 a você e a toda a sua família.
    Um abraço!!

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    Respostas
    1. Citei uma passagem que não deixa de ser verdade também.
      Mas, corrigindo: "Esqueceram, o que somos."

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